quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

4.4 - A batalha contra Yoghotamma

Clym percebeu que algo estava errado. Yoghotamma estava com um sorriso diferente. “Será que existe alguma surpresa no fim da festa que eu não saiba Yoghotamma?”, murmurou Clym, pensando alto.
- Quem sabe eu não te mostre antes da festa acabar? – diz Yoghotamma, voando em direção às montanhas do vilarejo.
- E quem sabe eu não estrague a surpresa antes de você me mostrar... – diz Clym - ...Maldito demônio!
Os olhos de Clym brilharam de ódio. Nesse momento, ele aponta a Akkisatsu em direção ao demônio. Abaixa a cabeça e fecha os olhos. Sua boca murmura em voz baixa, palavras, como uma criança em uma prece perante o altar. A espada se ilumina e dela saem pequenas plumas esbranquiçadas que logo preenchem o local em torno dos anjos e do demônio. Clym abre os olhos e as plumas se unem, se transformando em uma cúpula branca que abrigava Clym e Yoghotamma. A boca do garoto pára com as palavras mágicas que recitava. Os olhos se abrem e a cabeça se ergue.
- O que você fez? Humano maldito! – grita Yoghotamma numa voz de raiva que se confundia com a de angústia que latejava em sua mente.
Clym abaixa a espada e caminha em direção ao demônio. Seus olhos focaram a face de Yoghotamma e dela não se perdia. Sua boca começara a se mover novamente, murmurando baixo como anteriormente. Um feixe de luz sai de Akkisatsu, formando uma corda iluminada que prende o demônio pelas asas e o puxa ao chão. Yoghotamma tenta se libertar mas é inútil. O demônio ergue uma de suas mãos e as pedras de dentro da cúpula se transformam em agulhas pontiagudas que começa a atacar Clym. Mas com um mero golpe de da Akkisatsu, as agulhas são feitas em estilhaços facilmente.
- Yoghotamma está fraco. – diz Selenya.
- O poder da Akkisatsu é grande demais para ser suportado. – complementa Zaluth. – Yoghotamma morrerá em breve.
Clym prende Yoghotamma ao chão. Empunha sua espada ao alto e, ainda olhando para a face de Yoghotamma, o humano diz:
- E aqui é o seu fim, demônio.
Uma explosão acontece e a cúpula é destruída. Tudo é arremessado para longe pelo tamanho do impacto e Clym perde de vista Yoghotamma.
- Akkisatsu! Que sua lâmina corte a névoa e traga de volta Yoghotamma! – grita Clym, cortando a névoa negra que se formara após a explosão.
A névoa se dispersa e com ela, a feição de Yoghotamma aparece diante de sua face. Ao seu lado, aparece Wikke. Seus olhos estavam avermelhados e exalavam ódio e ao mesmo tempo, vitória. Wikke havia desaparecido do lado dos seis sem que tivessem percebido para interferir naquela luta. O garoto olha em direção a Clym. Ergue sua mão, e em um único gesto, as grandes pedras que havia atrás de Clym voam em sua direção. Clym corta todas com a Akkisatsu e olha para o garoto.
- Não me olhe assim, Clym. Me deixa sem graça. – diz Wikke, movendo sua mão e fazendo os estilhaços de pedra voltarem e perseguirem Clym.
- Wikke! Você não estava aqui para ajudar-nos? Quem você realmente é? – pergunta Clym, depois de fazer de todas as pedras pó.
- Sou seu pior pesadelo. – diz Wikke numa voz irônica.
Yoghotamma ataca Wikke pelas costas.
- Idiota!!! O que pensa que está fazendo? – grita o jovem com o braço ensangüentado.
- A luta é minha, garoto. – o demônio se aproxima de Wikke e pousa sua mão na testa de Wikke. Uma aura vermelha ilumina os corpos de ambos.
- O que está fazen...? – diz o garoto antes de cair desacordado ao chão.
- Estou pegando emprestado um pouco da sua força. – diz Yoghotamma em um sorriso.
Ele se ergue aos céus e olha para Clym. O demônio ergue sua gigante mão e, direcionando a ele, começa a lançar esferas de uma chama negra. Espantado com a magnitude do poder que agora explodia dentro de Yoghotamma, Clym ia se esquivando dos ataques. Até a Akkisatsu não suportaria tamanho poder.
- Clym, maldito. Uma vez você conseguiu me derrotar... Mas o segundo dia é sempre melhor que o primeiro! – e uma de suas bolas de chama, acerta o braço Clym.
O demônio solta uma risada maligna e olha com maldade para o humano caído ao chão. Repentinamente, uma onda de energia atravessa o espaço vazio que havia entre Yoghotamma e Clym, rasgando a terra.
- Quem foi?? – grita o demônio, procurando pela pessoa responsável pela adaga, quando seus olhos encontram não apenas um, mas muitos seres alados empunhando suas armas.
- Fomos nós, Yoghotamma. – diz Ornoc, ao lado dos outros cinco e um imenso exército de anjos e arcanjos. – Nós falhamos em te destruir antes, mas agora será diferente. Não vamos falhar novamente!
Os arcanjos se posicionam em forma de círculo, em torno do demônio, cercando-o. De repente, os arcanjos começam a se movimentar como o vento dentro do círculo formado, desenhando ao chão um pentágono. Os anjos começam a dizer palavras mágicas, em voz baixa, aumentando a intensidade das palavras a cada minuto. O demônio logo reconhece o ritual e tenta apagar o pentágono desesperadamente. Porém, quando se dera conta, seu corpo já estava sem as energias extras que havia retirado de Wikke.
- Nós, seres celestiais, retiramos de você o poder que tão terrivelmente usou. – dizem todos eles ao mesmo tempo.
Aproveitando-se da situação, Clym se levanta rapidamente e atinge Yoghotamma com a Akissatsu, emanando uma grande explosão. Só se ouve o grito desesperado de um demônio derrotado ecoando por entre as montanhas do vilarejo. Só se via a estranha luz branca clareando todo o ambiente e cegando os olhos dos curiosos. Só se sabia que, dali para frente, tudo acabaria.


FIM
...ou não

Nenhum comentário: