Clym percebeu que algo estava errado. Yoghotamma estava com um sorriso diferente. “Será que existe alguma surpresa no fim da festa que eu não saiba Yoghotamma?”, murmurou Clym, pensando alto.
- Quem sabe eu não te mostre antes da festa acabar? – diz Yoghotamma, voando em direção às montanhas do vilarejo.
- E quem sabe eu não estrague a surpresa antes de você me mostrar... – diz Clym - ...Maldito demônio!
Os olhos de Clym brilharam de ódio. Nesse momento, ele aponta a Akkisatsu em direção ao demônio. Abaixa a cabeça e fecha os olhos. Sua boca murmura em voz baixa, palavras, como uma criança em uma prece perante o altar. A espada se ilumina e dela saem pequenas plumas esbranquiçadas que logo preenchem o local em torno dos anjos e do demônio. Clym abre os olhos e as plumas se unem, se transformando em uma cúpula branca que abrigava Clym e Yoghotamma. A boca do garoto pára com as palavras mágicas que recitava. Os olhos se abrem e a cabeça se ergue.
- O que você fez? Humano maldito! – grita Yoghotamma numa voz de raiva que se confundia com a de angústia que latejava em sua mente.
Clym abaixa a espada e caminha em direção ao demônio. Seus olhos focaram a face de Yoghotamma e dela não se perdia. Sua boca começara a se mover novamente, murmurando baixo como anteriormente. Um feixe de luz sai de Akkisatsu, formando uma corda iluminada que prende o demônio pelas asas e o puxa ao chão. Yoghotamma tenta se libertar mas é inútil. O demônio ergue uma de suas mãos e as pedras de dentro da cúpula se transformam em agulhas pontiagudas que começa a atacar Clym. Mas com um mero golpe de da Akkisatsu, as agulhas são feitas em estilhaços facilmente.
- Yoghotamma está fraco. – diz Selenya.
- O poder da Akkisatsu é grande demais para ser suportado. – complementa Zaluth. – Yoghotamma morrerá em breve.
Clym prende Yoghotamma ao chão. Empunha sua espada ao alto e, ainda olhando para a face de Yoghotamma, o humano diz:
- E aqui é o seu fim, demônio.
Uma explosão acontece e a cúpula é destruída. Tudo é arremessado para longe pelo tamanho do impacto e Clym perde de vista Yoghotamma.
- Akkisatsu! Que sua lâmina corte a névoa e traga de volta Yoghotamma! – grita Clym, cortando a névoa negra que se formara após a explosão.
A névoa se dispersa e com ela, a feição de Yoghotamma aparece diante de sua face. Ao seu lado, aparece Wikke. Seus olhos estavam avermelhados e exalavam ódio e ao mesmo tempo, vitória. Wikke havia desaparecido do lado dos seis sem que tivessem percebido para interferir naquela luta. O garoto olha em direção a Clym. Ergue sua mão, e em um único gesto, as grandes pedras que havia atrás de Clym voam em sua direção. Clym corta todas com a Akkisatsu e olha para o garoto.
- Não me olhe assim, Clym. Me deixa sem graça. – diz Wikke, movendo sua mão e fazendo os estilhaços de pedra voltarem e perseguirem Clym.
- Wikke! Você não estava aqui para ajudar-nos? Quem você realmente é? – pergunta Clym, depois de fazer de todas as pedras pó.
- Sou seu pior pesadelo. – diz Wikke numa voz irônica.
Yoghotamma ataca Wikke pelas costas.
- Idiota!!! O que pensa que está fazendo? – grita o jovem com o braço ensangüentado.
- A luta é minha, garoto. – o demônio se aproxima de Wikke e pousa sua mão na testa de Wikke. Uma aura vermelha ilumina os corpos de ambos.
- O que está fazen...? – diz o garoto antes de cair desacordado ao chão.
- Estou pegando emprestado um pouco da sua força. – diz Yoghotamma em um sorriso.
Ele se ergue aos céus e olha para Clym. O demônio ergue sua gigante mão e, direcionando a ele, começa a lançar esferas de uma chama negra. Espantado com a magnitude do poder que agora explodia dentro de Yoghotamma, Clym ia se esquivando dos ataques. Até a Akkisatsu não suportaria tamanho poder.
- Clym, maldito. Uma vez você conseguiu me derrotar... Mas o segundo dia é sempre melhor que o primeiro! – e uma de suas bolas de chama, acerta o braço Clym.
O demônio solta uma risada maligna e olha com maldade para o humano caído ao chão. Repentinamente, uma onda de energia atravessa o espaço vazio que havia entre Yoghotamma e Clym, rasgando a terra.
- Quem foi?? – grita o demônio, procurando pela pessoa responsável pela adaga, quando seus olhos encontram não apenas um, mas muitos seres alados empunhando suas armas.
- Fomos nós, Yoghotamma. – diz Ornoc, ao lado dos outros cinco e um imenso exército de anjos e arcanjos. – Nós falhamos em te destruir antes, mas agora será diferente. Não vamos falhar novamente!
Os arcanjos se posicionam em forma de círculo, em torno do demônio, cercando-o. De repente, os arcanjos começam a se movimentar como o vento dentro do círculo formado, desenhando ao chão um pentágono. Os anjos começam a dizer palavras mágicas, em voz baixa, aumentando a intensidade das palavras a cada minuto. O demônio logo reconhece o ritual e tenta apagar o pentágono desesperadamente. Porém, quando se dera conta, seu corpo já estava sem as energias extras que havia retirado de Wikke.
- Nós, seres celestiais, retiramos de você o poder que tão terrivelmente usou. – dizem todos eles ao mesmo tempo.
Aproveitando-se da situação, Clym se levanta rapidamente e atinge Yoghotamma com a Akissatsu, emanando uma grande explosão. Só se ouve o grito desesperado de um demônio derrotado ecoando por entre as montanhas do vilarejo. Só se via a estranha luz branca clareando todo o ambiente e cegando os olhos dos curiosos. Só se sabia que, dali para frente, tudo acabaria.
FIM
...ou não
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
4.4 - A batalha contra Yoghotamma
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