quinta-feira, 24 de abril de 2008

2.2 - A volta do Lorde I

Senlith tremia. Levantou-se e abriu a torneira, jogando água no rosto. "Se acalma Senlith. Foi só um sonho. Só um sonho e nada mais." pensava. Enxugou-se e bebeu sua água. O sonho era muito mais do que um simples pesadelo. Era quase real. Enquanto passava pelo corredor para ir ao seu quarto, Senlith passou diante de um espelho pendurado em uma das paredes. Viu de relance, a face assustadora de Yogohtamma. Ele voltou devagar, em passos leves, para se olhar novamente no espelho. O espelho refletiu a face de Senlith. Ele ainda se sentia mal. De repente, uma voz forte e grossa em sua mente dizia:
- Pequeno alquimista, é uma pena para nós dois, mas vou ter que pegar seu corpo emprestado de novo... Fiz bem em deixar em você uma pequena parte de mim antes de possuir aquela maldita arcanja.
E Senlith sentiu o poder esmagador de Yogohtamma envolvendo sua mente e se apoderando dele novamente, e antes que pudesse gritar ou se mover, era tarde demais. Depois de se apoderar completamente do corpo de Senlith, Yogohtamma manifestou o caos e a destruição na vila, como no sonho que Senlith teve enquanto estava desacordado.
Zaluth estava sentado em um pequeno muro, refletindo sobre seu sonho. Quando ele fechou os olhos e se apoiou no muro, um vento gelado bateu em seu rosto. O arcanjo da morte reconheceu o aroma, quase imperceptível, de queimado no ar. Zaluth abriu os olhos e sentiu um arrepio. O vento havia trazido mais do que o cheiro de queimado. Ele havia trazido o aroma de Yogohtamma. Zaluth resolveu que iria descobrir de onde vinha esse cheiro. Abriu suas asas e, quando estava prestes a levantar vôo, sentiu Yami e Winca atrás dele.
- Sentiram o aroma tão bem quanto eu? - perguntou Zaluth se virando aos dois.
- Achou realmente que a gente iria te deixar ir sozinho? - disse Yami.
Zaluth sorriu aos dois e levantou vôo. Yami e Winca o acompanharam, seguindo a direção oposta do vento.
Pela direção que iam, pensaram que havia sido uma queimada acidental na floresta perto da vila de alquimistas. Vasculharam a floresta e acharam muitos moradores refugiados. Do alto, Yami avistou Senlith desacordado, perto de uma grande macieira. Zaluth foi checar a vila. Seus olhos haviam visto a destruição e a fumaça inalava um odor familiar. "Yogohtamma." pensou. Winca estava à procura de alguém que soubesse lhe informar exatamente como a vila havia pegado fogo.
Zaluth examinou os destroços e concluiu que algum tipo de poder havia golpeado as casas e árvores sem dó nem piedade. Yami se aproximou de Zaluth com Senlith nos ombros. O arcanjo da morte sentiu um arrepio e se virou lentamente vendo Yami e Senlith. Zaluth tinha certeza de que havia sentido o grande poder de Yogohtamma. Olhou fixamente para Yami por alguns segundos, tentando ver sua aura. Yami lhe perguntou se estava tudo bem e Zaluth respondeu que sim, se virando novamente para frente. Ele sabia que Yami não poderia ser Yogohtamma. Não teria sentido. De repente, ele parou, olhou novamente Yami e depois apontou para Senlith.
- Yami, coloque ele no chão. - disse Zaluth, ainda apontando para Senlith.
- O que? Pra quê? - perguntou Yami, sem saber o que estava acontecendo.
- Por favor. - pediu.
- Ta bom.
Yami colocou Senlith no chão e se afastou. Zaluth chegou perto de Senlith e levantou uma de suas pálpebras. Seu olho estava normal, porém, seu corpo exalava o forte odor de Yogohtamma. De repente, Winca chega com notícias. Ela descobrira o que havia acontecido e quem havia feito tudo aquilo. Tremendo, ela dizia:
- Por incrível que pareça, todos que me descreveram o que viram, falavam de um poder maior do que os dos alquimistas da vila. Eles me descreveram um poder como o de... O de... - abaixou a cabeça e agarrou um pedaço de sua saia com força -... Um poder como o de Yogohtamma!

Continua...

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